Tempos idos
vindouro
outonal
febril
hostil
infernal
retorcido
[igual galho molhado]
brilhante
venal
distante
voraz
tempo
do lado de lá
de lado de cá
by Solange Mazzeto
sábado, 12 de novembro de 2011
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Caio Fernando Abreu
Olhe, não fique assim não, vai passar. Eu sei que dói. É horrível. Eu sei que parece que você não vai agüentar, mas agüenta. Sei que parece que vai explodir, mas não explode. Sei que dá vontade de abrir um zíper nas costas e sair do corpo porque dentro da gente, nesse momento, não é um bom lugar para se estar. Dor é assim mesmo, arde, depois passa. Que bom. Aliás, a vida é assim: arde, depois passa. Que pena. A gente acha que não vai agüentar, mas agüenta: as dores da vida. Pense assim: agora tá insuportável, agora você queria abrir o zíper, sair do corpo, encarnar numa samambaia, virar um paralelepípedo ou qualquer coisa inanimada, anestesiada, silenciosa. Mas agora já passou. Agora já é dez segundos depois da frase passada. Sua dor já é dez segundos menor do que duas linhas atrás. Você acha que não porque esperar a dor passar é como olhar um transatlântico no horizonte estando na praia. Ele parece parado, mas aí você desvia o olho, toma um picolé, lê uma revista, dá um pulo no mar e quando vai ver o barco já tá lá longe. A sua dor agora, essa fogueira na sua barriga, essa sensação de que pegaram sua traquéia e seu estômago e torceram como uma toalha molhada, isso tudo – é difícil de acreditar, eu sei – vai virar só uma memória, um pequeno ponto negro diluído num imenso mar de memórias. Levante-se daí, vá tomar um picolé, ler uma revista, dar um pulo no mar. Quando você for ver, passou. Agora não dá mesmo pra ser feliz. É impossível. Mas quem disse que a gente deve ser feliz sempre? Isso é bobagem. “É melhor viver do que ser feliz”. Porque pra viver de verdade a gente tem que quebrar a cara. Tem que tentar e não conseguir. Achar que vai dar e ver que não deu. Querer muito e não alcançar. Ter e perder. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e dizer uma coisa terrível, mas que tem que ser dita. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e ouvir uma coisa terrível, que tem que ser ouvida.Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e ouvir uma coisa terrível, que tem que ser ouvida. A vida é incontornável. A gente perde, leva porrada, é passado pra trás, cai. Dói, ai, doi demaais. Mas passa. Está vendo essa dor que agora samba no seu peito de salto agulha? Você ainda vai olhá-la no fundo dos olhos e rir da cara dela. Juro que estou falando a verdade. Eu não minto. Vai passar. Caio Fernando Abreu
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Penumbra
percorri lentamente teus traços
de tua lágrima retida
fiz meu pranto calmo
deixei que escorresse
de mim
cada frase [mal]dita
intencional foi sua boca
sobre a minha
perplexa
me senti ausente
e nua
by Solange Mazzeto
de tua lágrima retida
fiz meu pranto calmo
deixei que escorresse
de mim
cada frase [mal]dita
intencional foi sua boca
sobre a minha
perplexa
me senti ausente
e nua
by Solange Mazzeto
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Remember
-oi
-olá, saudade daquele tempo...
-aquele tempo acabou, faz tempo
-eu sei que faz
- se sabe porque tá com isso de remember?
-tô relembrando só, e não vem com essa de falar inglês, você não se lembra que não gosto?
-lembrar? lembrar?...eu não lembro muita coisa sobre você
-você quer beber alguma coisa?
-quero sim
-coca-cola?
-não sei me deixa ver o cardápio
-mas me fala de você
-não tenho nada pra falar de mim, a não ser que eu fale das flores que não se abriram, ou do meu sorriso fracassado
-hei, para com isso, quero saber mesmo de você, de tudo, me conta?
-quero coca-cola com gelo, sem o limão
-ihh, veio com limão, você vai encrencar né?
-não, não vou, é só tirar o limão com os dedos em pinça...
-você não vai dizer nada mais com nada né?
-não sei, não estou entendendo o que você quer dizer
-olha pra mim?
-pra que?
-vamos andar ali perto do mar, você gostava disso
-não vou não, vai sujar minha sandália
cruzam os braços, as ondas vão e vem, cruzam os braços, pedem cerveja e queijo a milanesa
o vento festeja num ar primaveril, as luzes artificiais fazem a festa, ela olha pra ele, sorri um sorriso sem sal e diz, tchau
sem beijo, sem esperança, as coisas, às vezes, chegam ao estado terminal.
TEXTO: Solange Mazzeto
-olá, saudade daquele tempo...
-aquele tempo acabou, faz tempo
-eu sei que faz
- se sabe porque tá com isso de remember?
-tô relembrando só, e não vem com essa de falar inglês, você não se lembra que não gosto?
-lembrar? lembrar?...eu não lembro muita coisa sobre você
-você quer beber alguma coisa?
-quero sim
-coca-cola?
-não sei me deixa ver o cardápio
-mas me fala de você
-não tenho nada pra falar de mim, a não ser que eu fale das flores que não se abriram, ou do meu sorriso fracassado
-hei, para com isso, quero saber mesmo de você, de tudo, me conta?
-quero coca-cola com gelo, sem o limão
-ihh, veio com limão, você vai encrencar né?
-não, não vou, é só tirar o limão com os dedos em pinça...
-você não vai dizer nada mais com nada né?
-não sei, não estou entendendo o que você quer dizer
-olha pra mim?
-pra que?
-vamos andar ali perto do mar, você gostava disso
-não vou não, vai sujar minha sandália
cruzam os braços, as ondas vão e vem, cruzam os braços, pedem cerveja e queijo a milanesa
o vento festeja num ar primaveril, as luzes artificiais fazem a festa, ela olha pra ele, sorri um sorriso sem sal e diz, tchau
sem beijo, sem esperança, as coisas, às vezes, chegam ao estado terminal.
TEXTO: Solange Mazzeto
sábado, 23 de julho de 2011
Neon
com a boca impressa
em papel de segunda
e os lábios dissimulados
criados pelo bisturi
a criatura
luzia em neon
a brevidade
e o
ínfimo
Texto: Solange Mazzeto
em papel de segunda
e os lábios dissimulados
criados pelo bisturi
a criatura
luzia em neon
a brevidade
e o
ínfimo
Texto: Solange Mazzeto
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Porque Eu Sei Que É Amor -Titãs
Porque Eu Sei Que É Amor
Titãs
Composição: Sérgio Britto e Paulo Miklos
Porque eu sei que é amor
Eu não peço nada em troca
Porque eu sei que é amor
Eu não peço nenhuma prova
Mesmo que você não esteja aqui
O amor está aqui
Agora
Mesmo que você tenha que partir
O amor não há de ir
Embora
Eu sei que é pra sempre
Enquanto durar
Eu peço somente
O que eu puder dar (2x)
Porque eu sei que é amor
Sei que cada palavra importa
Porque eu sei que é amor
Sei que só há uma resposta
Mesmo sem porquê eu te trago aqui
O amor está aqui
Comigo
Mesmo sem porquê eu te levo assim
O amor está em mim
Mais vivo
Eu sei que é pra sempre
Enquanto durar
Eu peço somente
O que eu puder dar (4x)
Porque eu sei que é amor (3x)
Titãs
Composição: Sérgio Britto e Paulo Miklos
Porque eu sei que é amor
Eu não peço nada em troca
Porque eu sei que é amor
Eu não peço nenhuma prova
Mesmo que você não esteja aqui
O amor está aqui
Agora
Mesmo que você tenha que partir
O amor não há de ir
Embora
Eu sei que é pra sempre
Enquanto durar
Eu peço somente
O que eu puder dar (2x)
Porque eu sei que é amor
Sei que cada palavra importa
Porque eu sei que é amor
Sei que só há uma resposta
Mesmo sem porquê eu te trago aqui
O amor está aqui
Comigo
Mesmo sem porquê eu te levo assim
O amor está em mim
Mais vivo
Eu sei que é pra sempre
Enquanto durar
Eu peço somente
O que eu puder dar (4x)
Porque eu sei que é amor (3x)
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Cenas de um cotidiano
Marido cara de c...
Mulher com pálpebras inchadas (claro que tinha chorado)
Filhos, dois, um casal
Menino capeta
Menina doce
A mãe pro filho: 'porque você está com a cara molhada filho?' Gentilmente passando a mão no rosto dele
O menino se esquiva
Tô suado mãe, que tem? Agressivo
A menina comendo na dela, quietinha
A mulher perguntando pro marido
Que você quer comer?
Ele só levanta os ombros, em atitude de desdém
Ela sai da mesa, pra pegar comida os filhos também
Ele rapidamente pega o celular
A cara de 'traste de cera’ some imediatamente
Ligação rapidinha, olhando de soslaio
É coisas de um cotidiano
De m....
TEXTO: Solange Mazzeto
Mulher com pálpebras inchadas (claro que tinha chorado)
Filhos, dois, um casal
Menino capeta
Menina doce
A mãe pro filho: 'porque você está com a cara molhada filho?' Gentilmente passando a mão no rosto dele
O menino se esquiva
Tô suado mãe, que tem? Agressivo
A menina comendo na dela, quietinha
A mulher perguntando pro marido
Que você quer comer?
Ele só levanta os ombros, em atitude de desdém
Ela sai da mesa, pra pegar comida os filhos também
Ele rapidamente pega o celular
A cara de 'traste de cera’ some imediatamente
Ligação rapidinha, olhando de soslaio
É coisas de um cotidiano
De m....
TEXTO: Solange Mazzeto
terça-feira, 12 de julho de 2011
Táxi
E lá vou eu, ia pegar um ônibus, trânsito de sexta-feira fervendo, atrasada, catei um táxi mesmo, não era ainda hora da bandeirada dois e o sujeito colocou bandeira dois, depois de um tempo, passou para bandeirada um e falou com aquele sorrisinho cínico: ---- Depois desconto $ 0,40 cents.
Eu nem respondi, só revirei os olhos.
O taxímetro tava rodando mais que peão de rodeio, eu ali com as mãos crispadas e com a bendita frase: ‘Sampa para um dia’...
Já tava caro demais, caso continuasse no táxi acho que iria pagar uns 100 mangos brincando, tava na favela da Espraiada, e o taxista: ---- Nossa, tenho que voltar pro Ponto as 21:00, não vai dar tempo, eu vou deixar a senhora ali em cima e depois vou ter que... [enfim ele ficou falando o que iria fazer porque ele tava nervoso de não poder voltar ao Ponto no horário que ele já tinha marcado, eu não tava a fim de ouvir o cara desfilar suas sensações e ‘penalidades’]. Então decidi: ---- Moço! pare aqui:
--- Mas, moça a senhora tá na favela, sabe disso?
--- Sim eu sei, mas nada de ruim irá me acontecer. E depois também tem seu lado aí, de ter que voltar e tal
---Não quanto a isso a senhora não se preocupe.
--- Moço, para o táxi e fim.
Ele parou, eu paguei, quando ia saindo ele disse:
--- Tem guardas na favela viu dona?
Sorri gentilmente, atravessei um pedaço da favela, enfrentei o trânsito a pé, subi uma subidona e parei no ponto de ônibus mais perto que tinha, não deu nem dois minutos, chegou o buzão que eu queria, subi feliz naquele coletivo [eu disse mesmo isso? de subir feliz num buzão? é eu disse...] e finalmente relaxei.
Ah! Um detalhe, o taxista não descontou a bandeirada dois, perdi meus 0,40 centavos.
texto by Solange Mazzeto [verídico 'antes não fosse']
Eu nem respondi, só revirei os olhos.
O taxímetro tava rodando mais que peão de rodeio, eu ali com as mãos crispadas e com a bendita frase: ‘Sampa para um dia’...
Já tava caro demais, caso continuasse no táxi acho que iria pagar uns 100 mangos brincando, tava na favela da Espraiada, e o taxista: ---- Nossa, tenho que voltar pro Ponto as 21:00, não vai dar tempo, eu vou deixar a senhora ali em cima e depois vou ter que... [enfim ele ficou falando o que iria fazer porque ele tava nervoso de não poder voltar ao Ponto no horário que ele já tinha marcado, eu não tava a fim de ouvir o cara desfilar suas sensações e ‘penalidades’]. Então decidi: ---- Moço! pare aqui:
--- Mas, moça a senhora tá na favela, sabe disso?
--- Sim eu sei, mas nada de ruim irá me acontecer. E depois também tem seu lado aí, de ter que voltar e tal
---Não quanto a isso a senhora não se preocupe.
--- Moço, para o táxi e fim.
Ele parou, eu paguei, quando ia saindo ele disse:
--- Tem guardas na favela viu dona?
Sorri gentilmente, atravessei um pedaço da favela, enfrentei o trânsito a pé, subi uma subidona e parei no ponto de ônibus mais perto que tinha, não deu nem dois minutos, chegou o buzão que eu queria, subi feliz naquele coletivo [eu disse mesmo isso? de subir feliz num buzão? é eu disse...] e finalmente relaxei.
Ah! Um detalhe, o taxista não descontou a bandeirada dois, perdi meus 0,40 centavos.
texto by Solange Mazzeto [verídico 'antes não fosse']
NUA
nua em teus braços, sinto-me rainha
vertiginosa sede me escapa
teus lábios são meus
os prendo na língua
tua pele se inebria da minha
danço para ti em véus
qual doce vislumbre és tu
de teus olhos toca-me a delicadeza
e generosa
me revelo a ti
...
TEXTO: Solange Mazzeto
vertiginosa sede me escapa
teus lábios são meus
os prendo na língua
tua pele se inebria da minha
danço para ti em véus
qual doce vislumbre és tu
de teus olhos toca-me a delicadeza
e generosa
me revelo a ti
...
TEXTO: Solange Mazzeto
sábado, 25 de junho de 2011
Fumaça de cigarro
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Macho
ah! o macho
acirrado
provocador
que te coloca
de lado
de baixo do aspirador
ah! o macho
dodói
gemendo na cama
com febrinha
de 37 graus , vírgula 2
ah! o macho
que te arrepia
sem mesmo
você o ver...
macho!
os de essência
são muito bons
...
TEXTO: Solange Mazzeto
acirrado
provocador
que te coloca
de lado
de baixo do aspirador
ah! o macho
dodói
gemendo na cama
com febrinha
de 37 graus , vírgula 2
ah! o macho
que te arrepia
sem mesmo
você o ver...
macho!
os de essência
são muito bons
...
TEXTO: Solange Mazzeto
terça-feira, 21 de junho de 2011
Teu tudo
guardo teu cheiro
na taça do segredo
na mesa virada
guardo teu jeito
na pele
na íris
guardo teu tudo
na garganta
e bem
dentro de mim
TEXTO: Solange Mazzeto
na taça do segredo
na mesa virada
guardo teu jeito
na pele
na íris
guardo teu tudo
na garganta
e bem
dentro de mim
TEXTO: Solange Mazzeto
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Meu homem
meu homem tem o perfume da terra
as mãos calejadas
a boca desejada
meu homem tem a delicadeza da rocha
a percepção do artista
a palavra de mestre
meu homem tem a presteza do caçador
a alegria de menino
e que mais tem o meu homem?
o encanto da ternura que me faz úmida
antes mesmo de me... tocar.
TEXTO: Solange Mazzeto
as mãos calejadas
a boca desejada
meu homem tem a delicadeza da rocha
a percepção do artista
a palavra de mestre
meu homem tem a presteza do caçador
a alegria de menino
e que mais tem o meu homem?
o encanto da ternura que me faz úmida
antes mesmo de me... tocar.
TEXTO: Solange Mazzeto
Outonal

Outonal
Caem as folhas mortas sobre o lago;
Na penumbra outonal, não sei quem tece
As rendas do silêncio… Olha, anoitece!
- Brumas longínquas do País do Vago…
Veludos a ondear… Mistério mago…
Encantamento… A hora que não esquece,
A luz que a pouco e pouco desfalece,
Que lança em mim a bênção dum afago…
Outono dos crepúsculos doirados,
De púrpuras, damascos e brocados!
- Vestes a terra inteira de esplendor!
Outono das tardinhas silenciosas,
Das magníficas noites voluptuosas
Em que eu soluço a delirar de amor…
POEMA: Florbela Espanca
IMAGENS: Solange Mazzeto
sábado, 4 de junho de 2011
Ele vem
é trapaça
o sono é vento
a tempestade é granito
em gole ele vem
na temperatura ideal
marcar
território
estampando na cara
o gosto maldito
do amanhã
TEXTO: Solange Mazzeto
o sono é vento
a tempestade é granito
em gole ele vem
na temperatura ideal
marcar
território
estampando na cara
o gosto maldito
do amanhã
TEXTO: Solange Mazzeto
Horas batem, sinos rompem
no retrato a mancha
de suor escorre
lento exagero
flor perpétua
solamente
roxa
TEXTO: Solange Mazzeto
de suor escorre
lento exagero
flor perpétua
solamente
roxa
TEXTO: Solange Mazzeto
terça-feira, 24 de maio de 2011
Urgência
ele chegou no corcel vermelho
com cabelo despenteado
ar de namorado
ela o recebeu no vestido dourado
e se fitaram
não tinha urgência
tinha malicia
de ordem
despiram-se
e se tornaram
almas
des[atadas]
Texto: Solange Mazzeto
com cabelo despenteado
ar de namorado
ela o recebeu no vestido dourado
e se fitaram
não tinha urgência
tinha malicia
de ordem
despiram-se
e se tornaram
almas
des[atadas]
Texto: Solange Mazzeto
terça-feira, 5 de abril de 2011
Do ontem
quarta-feira, 30 de março de 2011
Duzentos por hora
câmbio em alta tecnologia
sistema de ponta
cruza a ponte controvérsia
da história da máquina
flecha, monte de Vênus
sexo na velocidade máxima
marcha a ré
espera
solta a primeira marcha
desce devagar
...
respira...
solta o freio
vai
TEXTO: Solange Mazzeto
sistema de ponta
cruza a ponte controvérsia
da história da máquina
flecha, monte de Vênus
sexo na velocidade máxima
marcha a ré
espera
solta a primeira marcha
desce devagar
...
respira...
solta o freio
vai
TEXTO: Solange Mazzeto
quinta-feira, 10 de março de 2011
Teve rima, teve roda

suavemente
encostei sua voz
na beirada de minha ilusão
colhi frutos doces e aveludadas rosas
foi macio o passeio
teve rima, teve roda
mas o fio de esperança
cruzou com o fio da desconfiança
surgiu fiapo pra todo lado
surgiu vigas grossas
e lágrimas queixosas
subi a ladeira de vidro
escorregava, eu caía
muitas vezes, machuquei o joelho
e não conseguia rezar
hoje acordei na descida do boi
rezei uma ave-maria
acendi uma vela cor da vida
olhei de cima, vi abaixo do túmulo
resfriei a cabeça
tentei fechar o coração
mas a chave de ouro
tava na minha mão
relanceei um olhar enviesado
vi a realidade estampada em cores cítricas
visitei minha arte
rumei pra luminosidade
escrevi esses versos
e me acalmei
abraçando a doce sina
a sina de não morrer
...
TEXTO: Solange Mazzeto
IMAGEM: ADAGP
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Avesso
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
A menina, a joaninha e eu
Tarde de ir no cinema, não sem antes comprinhas no Shopping, na fila pra pagar, a menina de brilhantes olhos azuis, cabelo em cacho dourado, com fita anil, perguntava pra mim, é ‘bicinho’? E então percebi que tinha uma joaninha perambulando por minha bolsa, me agachei junto a menininha ficamos olhando as aventuras da joaninha, sorri pra ela e disse, sim é um bichinho, e se chama joaninha, e ela ‘zoaninha’? Sim, uma joaninha!
TEXTO: Solange Mazzeto
TEXTO: Solange Mazzeto
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Senhor Edu, pra você!
A morte é um tiquinho de nada, pegue seu indicador e seu polegar, e meça meio centímetro de distância entre eles, fez? Isso é a morte, diz o Monge Antônio.
Somos eternos, temos alma, o que parte daqui é só o corpo, só a ‘roupola’ como diz o João Baiano.
Mas mesmo cientes disso, a experiência de não podermos mais tocar o corpo que se foi, é desastroso. Antes isso me deixava nervosa, irritadiça, hoje só me deixa triste.
É o luto da morte, a tristeza de saber que por hora não poderemos mais olhar pra aquele olhar que tanto nos fez bem na vida. Não poderemos ligar e dizer ‘oi coisa linda, como você está?’ e ouvir a voz debochada e rica.
No astral ainda não tem celular, peço que providenciem, pode ser?
Saudade, ô palavrinha danada quando se trata de dor de luto. Luto, palavra doída, palavra escura, palavra que machuca.
Edu!? Vê aquela menina de tranças sorrindo pra você? É a esperança querido, segue ela viu! Nos veremos logo, logo! Ti amu coisa linda!
E Deus! Cuida bem dele, e ao abrace bem apertado, sorria pra ele e diga que o quero muito bem! E que as rosas daqui de casa são todas dele. Sei que ele rirá e dirá: Dona Maravilha Mazzeto, a senhora tá exagerando...
TEXTO: Solange Mazzeto
PS: Não colocarei foto, ele não gostava de expor fotos dele.E respeito isso!
Somos eternos, temos alma, o que parte daqui é só o corpo, só a ‘roupola’ como diz o João Baiano.
Mas mesmo cientes disso, a experiência de não podermos mais tocar o corpo que se foi, é desastroso. Antes isso me deixava nervosa, irritadiça, hoje só me deixa triste.
É o luto da morte, a tristeza de saber que por hora não poderemos mais olhar pra aquele olhar que tanto nos fez bem na vida. Não poderemos ligar e dizer ‘oi coisa linda, como você está?’ e ouvir a voz debochada e rica.
No astral ainda não tem celular, peço que providenciem, pode ser?
Saudade, ô palavrinha danada quando se trata de dor de luto. Luto, palavra doída, palavra escura, palavra que machuca.
Edu!? Vê aquela menina de tranças sorrindo pra você? É a esperança querido, segue ela viu! Nos veremos logo, logo! Ti amu coisa linda!
E Deus! Cuida bem dele, e ao abrace bem apertado, sorria pra ele e diga que o quero muito bem! E que as rosas daqui de casa são todas dele. Sei que ele rirá e dirá: Dona Maravilha Mazzeto, a senhora tá exagerando...
TEXTO: Solange Mazzeto
PS: Não colocarei foto, ele não gostava de expor fotos dele.E respeito isso!
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Você

que é o você de dentro do meu sonho
que ronda meu preceito
me faz sentir direito
que é o você de dentro do meu tempo
que rouba meu desejo
me faz sentir sem medo
que é o você de dentro de minh’alma
que rotula meus segredos
me faz saber amada
que é “o” você...?
[eu sei]
TEXTO: Solange Mazzeto
DESCONHEÇO A AUTORIA DA IMAGEM
domingo, 30 de janeiro de 2011
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
O dia

o dia foi direto
a cruzada no peito foi doente
a brisa se violentou
e
tornou-se ventania
reli Maria
visualizei o campo de rosas
todas mortas
emporcalhadas pelo chão
surripiei bondade
acalentei o frio
dilacerei meu nome
corri do céu
virei vadia
fiquei no cio
morri deitada na direita da porta
que entre aberta
pisoteava seu nome
TEXTO: Solange Mazzeto
DESCONHEÇOA A AUTORIA DA IMAGEM
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Navego
nos teus dedos
de amante
navego borboletas
colho rompantes
na tua íris
vejo majestade
[fico princesa]
curvo meu dorso
te vejo claramente
despido
louco e delirante
gotejando os jatos
da luxúria
dos instantes
TEXTO: Solange Mazzeto
de amante
navego borboletas
colho rompantes
na tua íris
vejo majestade
[fico princesa]
curvo meu dorso
te vejo claramente
despido
louco e delirante
gotejando os jatos
da luxúria
dos instantes
TEXTO: Solange Mazzeto
domingo, 9 de janeiro de 2011
Carlos Drummond de Andrade
(...) Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.
(...) E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.
(Resíduo)
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.
(...) E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.
(Resíduo)
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Translúcida

Desde menina eu gostava dessa palavra, translúcida, que quer dizer transparente, mas quando eu descobri essa palavra, eu soletrava e dizia: trans-lú-ci-daaaa.
As transparências nas emoções, nos sentimentos, sempre levaram minha mãe a me dizer:
--- menina besta que se mostra a toa.
Tempos se passaram, aprendi a suar o nariz sozinha, a limpar meu rosto de alguma baba, aprendi a amarrar os tênis, a engraxar meus brilhantes sapatos escolares.
Mas a ideia de: ‘você é besta’, não me largou.
O caminho por vezes, tanto no tato, no trato, no trajeto de um olhar ao outro, é tortuoso, com fagulhas quentes que nos fazem chorar.
Agora enquanto escrevo, a cozinha está lavada, os pratos empilhados no armário antigo, a casa cheira a cera daquelas antigas, e o pão assa no forno velho, pois não quero um forno novo, tenho medo que meus pães e meus bolos não assem mais como agora...
E nisso tudo tem o soar de chuva de um verão estranho, mas é verão.
TEXTO: Solange Mazzeto
DESCONHEÇO A AUTORIA DA IMAGEM
domingo, 2 de janeiro de 2011
Mal nenhum

o demônio corre nas veias
discorda, briga
interrompe, distrai
escape dos conselhos inúteis
da vida vadia
será?
quem quer por a pica dentro do forno e assar?
o mundo real é vermelho
o sorriso amarelado
o dente é doente
a mente infame
que será?
não faço ideia
demente, dormente
o dia amanhece
antecede
...
cede
...
distrai
TEXTO: Solange Mazzeto
IMAGEM: Tascha
sábado, 1 de janeiro de 2011
Bolo pro namorado
Assinar:
Postagens (Atom)