domingo, 30 de janeiro de 2011
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
O dia

o dia foi direto
a cruzada no peito foi doente
a brisa se violentou
e
tornou-se ventania
reli Maria
visualizei o campo de rosas
todas mortas
emporcalhadas pelo chão
surripiei bondade
acalentei o frio
dilacerei meu nome
corri do céu
virei vadia
fiquei no cio
morri deitada na direita da porta
que entre aberta
pisoteava seu nome
TEXTO: Solange Mazzeto
DESCONHEÇOA A AUTORIA DA IMAGEM
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Navego
nos teus dedos
de amante
navego borboletas
colho rompantes
na tua íris
vejo majestade
[fico princesa]
curvo meu dorso
te vejo claramente
despido
louco e delirante
gotejando os jatos
da luxúria
dos instantes
TEXTO: Solange Mazzeto
de amante
navego borboletas
colho rompantes
na tua íris
vejo majestade
[fico princesa]
curvo meu dorso
te vejo claramente
despido
louco e delirante
gotejando os jatos
da luxúria
dos instantes
TEXTO: Solange Mazzeto
domingo, 9 de janeiro de 2011
Carlos Drummond de Andrade
(...) Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.
(...) E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.
(Resíduo)
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.
(...) E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.
(Resíduo)
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Translúcida

Desde menina eu gostava dessa palavra, translúcida, que quer dizer transparente, mas quando eu descobri essa palavra, eu soletrava e dizia: trans-lú-ci-daaaa.
As transparências nas emoções, nos sentimentos, sempre levaram minha mãe a me dizer:
--- menina besta que se mostra a toa.
Tempos se passaram, aprendi a suar o nariz sozinha, a limpar meu rosto de alguma baba, aprendi a amarrar os tênis, a engraxar meus brilhantes sapatos escolares.
Mas a ideia de: ‘você é besta’, não me largou.
O caminho por vezes, tanto no tato, no trato, no trajeto de um olhar ao outro, é tortuoso, com fagulhas quentes que nos fazem chorar.
Agora enquanto escrevo, a cozinha está lavada, os pratos empilhados no armário antigo, a casa cheira a cera daquelas antigas, e o pão assa no forno velho, pois não quero um forno novo, tenho medo que meus pães e meus bolos não assem mais como agora...
E nisso tudo tem o soar de chuva de um verão estranho, mas é verão.
TEXTO: Solange Mazzeto
DESCONHEÇO A AUTORIA DA IMAGEM
domingo, 2 de janeiro de 2011
Mal nenhum

o demônio corre nas veias
discorda, briga
interrompe, distrai
escape dos conselhos inúteis
da vida vadia
será?
quem quer por a pica dentro do forno e assar?
o mundo real é vermelho
o sorriso amarelado
o dente é doente
a mente infame
que será?
não faço ideia
demente, dormente
o dia amanhece
antecede
...
cede
...
distrai
TEXTO: Solange Mazzeto
IMAGEM: Tascha
sábado, 1 de janeiro de 2011
Bolo pro namorado
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