
da janela de minha alma avizinho o finado defunto
o marido da vizinha
ele se vinha já de um tanto acabado
pelas mentiras da vida
acamado ficara por três dias
e morrera no dia de ontem a tardezinha
ela de um tanto acabrunhada
rezava as tantas Aves- Maria
era reza de soluço
debruçada encolhidinha
na cerca ao lado o galo cantava
um canto entristecido, melancólico
enquanto isso, triste suspiro eu tirava
de minha sina
e pensava já na morte
essa morte visitante
que não escolhe se é de dia
se é de noite
se é de dinheiro
ou se é sem tostão
essa morte ladina
que vem roubar de sonho de padaria
até sonho perfumado do lírio da manhã
e ali me vou com meu pensar
arrebatado de pujança
inaugurar o vestido preto
pra mor de ir dizer adeus
ao já enterrado
finado...defunto...
marido da vizinha
TEXTO: Solange Mazzeto
DECONHEÇO A AUTORIA DA IMAGEM