
Eu não entendia o que minha mãe queria dizer com isso, ela dizia ‘tenha prumo menina, tenha prumo’, era pra eu ter juízo, pra ter prudência, pra ter rumo. Acho que como não entendia e não perguntava eu não tive prumo na vida. Tentei até, juro que tentei hoje em dia minha mãe reclama porque ando jurando demais, ela fala, agora é tudo ‘eu juro’, para com isso!
Sou adulta pelo menos na cronologia, mas na mente eu sei que não cresci totalmente. O mundo pra mim não pode ser muito real, me assusta, me acentua uma tenacidade tão grande na dor, que eu me fecho num ambiente fresco onde só eu posso entrar, e lá permaneço até que a fantasia se encarregue de me fechar os olhos, e me entorpecer...
Tenho responsabilidades e as cumpro, mas todo dia preciso abrir minha caixa cor de rosa e sonhar um outro mundo, onde as faíscas da ruindade não entram...
texto by Solange MazzetoDESCONHEÇO A AUTORIA DA IMAGEM