
segunda-feira, 26 de julho de 2010
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Mundo perfeito
segunda-feira, 12 de julho de 2010
É PECAMINOSO AINDA

dizer palavras sexuais
saber vontades
expô-las...
é pecaminoso ainda
e contraditório demais
século 21?
será?
por vezes não creio
mulher separada, ainda é mulher separada
é mais escondido o preconceito
que nem em relação a gays
mas é ato falho quando se percebe o olhar de critica
de anseio [que será que vão falar?]
é triste
isso posso garantir
vá a praia Solange
olhar o mar
ele não há de se incomodar
texto e imagem: Solange Mazzeto
Não se mate
Não se mate
Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe o que será.
Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.
O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, praquê.
Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguem sabe nem saberá.
DRUMMOND
Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe o que será.
Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.
O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, praquê.
Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguem sabe nem saberá.
DRUMMOND
sábado, 10 de julho de 2010
Voz de mãe

Hoje abri meus olhos antes do nascer do sol.
Meu rosto está radiante, falei com minha mãe ao telefone, sorrimos, lembramos de meu avô. Albino, era assim que ele se chamava, infelizmente não tive o prazer de conhecê-lo [morreu quando minha mãe tinha ainda 09 anos], mas minha mãe conta que ele era de pele clara, e se destacava pelos olhos, que tinham a cor do mel, mas daquele mel bem claro, mel de laranjeira, era descendente de alemão com português. Relembramos da frase que sempre ele dizia: “quem tem medo de cagar não come”. Rimos muito e minha mãe já com seus 80 anos, me perguntou espantada se eu iria colocar isso na internet, enquanto falávamos pesquisei e vi que essa frase é um ditado popular antigo. Ela se acalmou mais, riu e disse, ué já que tá na internet, que tem você falar sobre não é? Gargalhamos!
Ficamos de lero, lero, anos atrás minha mãe era avessa total ao telefone, falava sempre rápido e desligava mais rápido ainda, ela falava que era preciso ver a pessoa e não só escutar a voz. Mas eu vim morar em Sampa, outra irmã em Campinas, netos nascendo, e ela se viu obrigada a aderir mais ao telefone, e hoje, até diz que gosta, sai com celular e fala por aí, até no supermercado, coisa que ela sempre abominou, mas, como ela mesma diz, até de internet eu sei, até de e-mail eu sei.
Minha mãe é uma pessoa extraordinária, nem sempre assim o foi, ela era brava enquanto eu era mais menina, sempre falávamos de tudo, nunca escondi nada dela [eu não conseguiria], até hoje eu não escondo, conto tudo que me há na alma, mesmo que eu não conte, ela desvenda, ela ‘sabe’.
Até hoje quando vou a casa dela, no interior de São Paulo, a gente sai bastante pra bater perna, outro dito popular que usamos é que ‘parecemos couro de pica’, porque a gente fica num vai e volta danado. Bom isso ela não sabe que ‘deixei’ na internet, mas logo saberá.
TEXTO: Solange Mazzeto
DESCONHEÇO A AUTORIA DA IMAGEM
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Ele... ela.

ele quer
ela quer
ele tem medo
ela também
que há?
talvez haja
o medo do amanhã
mas existe o amanhã?
e se não der tempo?
que tempo?
cadê o tempo?
ela quer passear de mãos dadas
e dedos entrelaçados
pelos campos de flores
ela está viva
ele também está
e agora?
o que mais eles querem é uma resposta
abrem as janelas e volitam
alma com alma
pé com pé
quem sabe...
TEXTO e IMAGEM: Solange Mazzeto
Poema Começado no Fim

Um corpo quer outro corpo.
Uma alma quer outra alma e seu corpo.
Este excesso de realidade me confunde.
Jonathan falando:
parece que estou num filme.
Se eu lhe dissesse você é estúpido
ele diria sou mesmo.
Se ele dissesse vamos comigo ao inferno passear
eu iria.
As casas baixas, as pessoas pobres,
e o sol da tarde,
imaginai o que era o sol da tarde
sobre a nossa fragilidade.
Vinha com Jonathan
pela rua mais torta da cidade.
O Caminho do Céu.
POEMA de Adélia Prado
IMAGEM: Solange Mazzeto
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