domingo, 19 de setembro de 2010

Teatro




mundos...mudei

fiz da pausa, o pesadelo
da bruma, a ciência

debrucei na janela da vida
plantei gerânios
vermelhos

distribui lágrimas
cinzas

fiz do meu terraço
pontes
refiz a lua
nas quinhentas voltas

no abutre revi a luz

fiquei sentada
dolorida

levantei
sorrindo
enxuguei a cisma
amei
nossa, como amei

e
por fim
enquanto ouço aplausos
eu
vivo
respiro
e dôo
calor
em meio a exibições explicitas de amor...


TEXTO: by Solange Mazzeto

IMAGEM: DESCONHEÇO A AUTORIA

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

TALVEZ



não é muito
nem pouco
nem é o bastante

o cigarro queima
a mente
entorpece
[o fungar]

surge algo diferente no ar
mistério, imagem banida
cinema

talvez haja um tempo
sem tempo
da gente mudar

emudecer
tocar...


TEXTO: Solange Mazzeto

DESCONHEÇO A AUTORIA DA IMAGEM

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Rubem Alves no Programa do Jô 2/2

Rubem Alves no Programa do Jô 1/2

PS: Eu o amei, eu o amarei e eu o amo.





Um dia eu pensei que sentiria saudade, mas você estava ali comigo, recolhendo instantes, querendo uma neta, e quando engravidei foi uma festa bem nossa, éramos festeiros por natureza, riamos tanto, minha barriga foi crescendo, a sua neta se desenvolvendo, e nós ali na quase certeza de ser a tão sonhada menininha, queríamos a surpresa e não a ‘ansiedade’ do ultra-som.

E no dia 28 de setembro, na primavera, chegou a tão esperada netinha sua. Você sorria tanto ao vê-la, suas covinhas se abriam de par em par.
Você acompanhou tudo, os enjôos, as decepções, o meu medo diante de tudo, você me dava segurança e colo, era tão bom quando eu queria doce sírio e você corria buscar, e depois cortava pequenos pedaços de cana pra que eu pudesse chupar, e ainda descascava pinhões pra eu comer, e corria na padaria toda vez que eu dizia estar indo até a sua casa, e comprava o pão doce que eu gostava...

Eu por minha vez, fazia sua gelatina diet com pequeninos pedaços de maçã, e quando você dizia que estava vindo, eu cronometrava a hora para que quando você batesse na porta, o pão estivesse saindo do forno, e a mesa já estava posta, com minha porcelana cor-de-rosa.

Era um tempo onde o mal parecia não existir, onde a ternura nossa, era tão palpável e tão real, que eu imaginava que sempre seria assim.
Mas, quando a nossa pequena princesinha, tinha 6 meses, você resolveu 'partir', deixando um vazio tão profundo em minha alma, que minha asa ficou balançando ao léu...

Mas, eu creio que você está sempre pertinho, acompanhando o desenvolvimento de sua neta, e sorrindo para nós através das nuvens. Quando pequena, ela dizia, o vovô "Zael" tá ali, sorrindo pra mim mamãe, e apontava o dedinho em direção ao céu!

O mundo é mágico, ainda creio nisso, e o amor é eterno, e o que poderia nos separar não existe, pois somos todos um. Mas a falta do abraço, por vezes ainda perdura, e queria dizer a quem está lendo isso, que abracem e beijem aquela pessoa que está com você agora, porque um dia pode ser tarde demais...

Esse cara aí descrito, foi meu sogro, foi meu amigo e foi um dos homens mais íntegros que tive o prazer de ter na minha vida.

A você querido Izael, te deixo um PS: Eu o amo!


Solange Mazzeto